Pirenópolis se encontra aos pés da Serra dos
Pireneus, a 770 metros de altitude, a beira do Rio das Almas, bacia do Rio
Tocantins. A Serra dos Pireneus tem seu ponto mais alto no Pico dos Pireneus,
com 1385 metros de altitude e é divisor de águas da bacia do Prata com a Bacia
do Tocantins. Pela proximidade da serra, a maior parte do relevo do município é
de morros e encostas. Nas partes mais baixas, temos regiões de matas densas e
veredas e nas partes mais altas da serra, o cerrado restrito e campos. Por causa
disto, temos em Pirenópolis todos os tipos de fitofissionomias do Cerrado, que
é o nosso bioma.
Esta
diversidade fitofissionômica faz do Cerrado uma das maiores biodiversidades do
mundo, principalmente no caráter florístico. Temos, então, todos os tipos de
vegetação: campos limpos, úmidos ou secos, matas de galeria, matas mesofítica,
veredas, cerradão e o cerrado sentido restrito (o famoso cerrado de arvorinhas
retorcidas).
Porém,
o Cerrado é o bioma nacional que mais sofre com o desmatamento, reduziu nos
últimos 50 anos a mesma proporção que a Mata Atlânica levou 500 anos. Por ser o
Cerrado nas maiorias das localidades plano, portanto apropriado para
mecanização, tem servido de fronteira agrícola. Pirenópolis por ser uma região
serrana e de topografia acidentada, imprópria para a mecanização e o cultivo, o
Cerrado está sendo relativamente preservado.
Definição
O que é o Cerrado -
O Cerrado é um bioma típico do continente sul americano. A principal
caracteristica deste bioma se refere às estações climáticas, divididas em duas
estações muito bem diferenciadas: a estação da seca e a estação das chuvas. Esta
característica, que ocorre à milhões de anos, consolidou as formas de vida e a
geologia do local. Há a predominância de latossolos ácidos e bem lixiviados.
Reconhecida como uma espécie de savana, possui fauna e flora com
características bem peculiares. Há um mosaico de tipos de solos que determinou
um igual mosaico de tipos de vegetação, são as fitofisionomias, onde
encontramos: campos, cerrados, matas e veredas num mesmo campo de visão.
Clima
Tropical sub-úmido com
duas estações bem definidas: a estação das chuvas, que vai de outubro a março,
e a da seca, que vai de abril a setembro. O município, por ser parte
montanhoso, mantém algumas variações climáticas devido às altitudes. Com uma
serra ladeando o lado leste do município em sentido sul-norte, bloquea em parte
as correntes úmidas do sudeste de forte influência marítica. Recebe, por esta
conformação de relevo, principalmente nas épocas das chuvas, umidade vinda do
norte-noroeste, de origem amazônica. Os ventos predominantes são sudestes, que
chegam por sobre a serra. Podendo ocorrer lufadas de vento de norte nos
períodos das chuvas. Os períodos mais críticos são setembro/outubro quando a
seca é forte e o sol começa a esquentar, e entre fevereiro e março, quando a
umidade está muito alta e começa a esfriar.
Aspectos físicos
Relevo - Pirenópolis se localiza bem no centro,
ocupando partes altas do Planalto Central e partes baixa do Mato Grosso Goiano.
Circundado do nordeste ao sul por serras, que são os contrafortes do Planalto,
possui um relevo acidentado, que varia de cerca de 650 a 1400 metros de
altitude. Portanto, temos: áreas altas com campos de altitude, inundáveis e
semi-inundáveis e veredas (várzeas), de topografia suave; Paredões, escarpas e
picos rochosos, com cerrados rupestres (sobre rochas); Vales abruptos com matas
úmidas rodeadas de cerrado e campos; e planicies com cerradão e matas (úmidas e
secas).
Abrangência - 22% do
território brasileiro é ocupado por esse bioma, que abrange todo o Centro
Oeste, invadindo parte do Sudeste, parte do Norte e parte do Nordeste
brasileiro. Há uma mancha de cerrado nas Guianas. Apenas 2% deste bioma é
composto de cerrado rupestre (sobre rochas). A transição entre o cerrado e a
mata amazônica não é abrupta, fundem-se em manchas e no chamado mato grosso (matas
semicaducifólias) até total transição por longo trecho ao norte. Ao sul o
Planalto Central aparenta distinto limite, apesar de haver cerrado no norte de
Minas e São Paulo.
Hidrografia - Por causa
deste relevo acima descrito, a região é rica em nascentes. As serras, que
cortam o município, são divisores de duas das maiores bacias hidrográficas
brasileiras, a Platina, ao leste e sul, e a Tocantinense, ao oeste e norte.
Portanto poucos são os rios caudalosos, principalmente próximo à cidade, que
fica próxima a serra. Mais ao norte e noroeste do município temos rios mais
volumosos, como o Rios das Almas, o Rio do Peixe e o Maranhão.
Fitofisionomias
Matas úmidas - São matas
que acompanham os córregos e rios. Conhecidas também como matas de galeria ou
mata ciliar, mantém sua folhagem sempre verde durante todo o ano. As principais
espécies de mata úmida são normalmente árvores frondosas de tronco liso e
folhas pequenas. como: tamboril, jatobá-da-mata, canela-de-grota, jequitibá,
palmito-jussara etc.As fitofisionomias, que são os tipos de vegetação, é uma
das características mais marcantes do Cerrado. As principais são:
Matas secas - São matas
que ficam mais afastadas dos cursos d'água. Conhecidade como matas de
interflúvio e florestas semi-decídua. Tem este nome, devido a partes de suas
espécies perderam folhas durante o período de seca. As principais espécies são
árvores frondosas: aroeira, ipê, pindaíba, pau-d'óleo, umburuçu etc.
Cerradão - Vegetação
de transição entre a mata-seca e o cerrado, podendo ser confundido com ambos.
Possui árvores frondosas de matas com espécies tortuosas de cerrado. Vegetação
de porte sub-arbóreo e de densidade média-alta.
Cerrado - Conhecido
também como campo cerrado e cerrado sentido estrito. É aquele que mais
representa este bioma. Espécies vegetais arbustivas, bastante tortuosas, raízes
profundas, cascas grossas, folhas largas são suas principais características.
Possui densidade média e uma peguena, mas significante, população de gramíneas
e erbáceas. ex: pau-terra, pau-santo, pequizeiro, carvoeiro, barbatimão etc.
Campo sujo - Ou cerrado
ralo. Onde a densidade de gramíneas e plantas erbáceas é maior que as
arbustivas. Além das gramíneas, as mesmas espécies do cerrado podem habitar os
campos sujos. Há animais típicos de campos, como as emas, seriemas, lobo-guarás
etc.
Campo limpo - Onde
praticamente não há arbustos. As espécies que predominam são gramínias e ervas
rasteiras. Normalmente são solos rasos, arenosos, e bastante pobres. Nesta
classificação encontramos os campos inundáveis: que, por possuir solo raso e
argilas higromórficas armazenam água durante o período das águas e as retem
durante um bom período de seca; e os campos de muruduns: campos com pequenas
ilhas de vegetação arbustivas que são formadas pela atividade de cupinzeiros.
Veredas - Também
conhecidas com várzea ou várgem. São pequenos cursos e nascentes d'águas, que
circundados por campos ou cerrados ralos, possuem uma vegetação hidrida em
torno destes córregos, marcada pela presença de palmeiras, como buritis, e
espécies de mata e de campo.
Cerrado rupestre - São
cerrados nascidos sobre rochas, podendo ser ralo ou denso. São espécies
típicas: flor do pau, árvore do papel, cajú, clusia, guatambu, bromélias,
orquídes, líquens, musgos etc.
Geomorfologia
Geologia - A rocha predominante em nossa região é o
quartizito micáceo, uma rocha sedimentar de metamorfização branda com alto teor
de silíca, alumínio e ferro. Esta rocha é comercializada para a construção
civil,que a utiliza para pisos e revestimentos, sendo a principal fonte de
renda do município. Existe pouquíssimas ocorrências de arenitos e filitos, mas
há. Havia até um garimpo de esmeralda no xisto betuminoso encontrado a poucos
quilômetros da cidade, onde encontramos e presença de outros tipos de berilos, piritas,
rutilo etc. A presença de cristais de quartzo é abundante, mas não de forma
valiosa para o comércio, como cristal translúcido. O ouro já há muito retirado
de nossos aluviões, ainda é encontrado em alguns poucos garimpos clandestinos.
No mais, é quartizito, quartizito e mais quartzitos, rocha de alta dureza.
Origem - A formação geológica da região e de quase todo o interior do Brasil e bioma
cerrado é datado do período pré-cambriano, cerca de 1,100 a 1,500 bilhões de
anos. Considerado como uma das rochas mais antigas do planeta. De formação
sedimentar, estas rochas metamórficas são, aqui em Pirenópolis, na sua maioria
quartizíticas. A teoria é que neste período provenientes da erosão de um antigo
continente, sedimentos foram se consolidando no funco de um mar, dando origem a
placa tectônica de São Francisco, que engloba todo o continente sul-americano.
Por volta de 1 bilhão de anos atrás, isto se ergueu do mar formando o
continente. Neste longo período, esta sólida estrutura cristalina, foi sendo
cercada de mar e atingida por grandes intempéries. A parte central, que é o
local de nosso estudo, distante do mar, passou por períodos distintos de secas
e chuvas, que cavaram os vãos dos grande rios continentais como o São
Francisco; o Rio Grande; O Tocantins e Araguaia; o Pantanal, Paraguai e Paraná;
o Amazonas e todos os seus afluentes, moldando rochas, formando solos e
propiciando a formação de vida em nosso continente.
Fonte: www.pirenopolis.tur.br